Quando estou sozinha, nada mais me importa. É como se o mundo se resumisse em meras palavras, meras folhas, meros livros... A solidão acolhe o meu medo, esconde os pensamentos que vêm à tona em algum momento quando você não está fazendo nada. Lendo, com a solidão à espera
no sofá, você sempre pensará que o lado de fora pode lhe
afetar. O mundo os as pessoas dizem ser bom, onde tudo se resume em mera falsidade. A
imaginação me faz ver a solidão como o melhor caminho, o melhor instinto. Acho que desaprendi a conviver com outras pessoas. Elas são tão naturais, tão... reais. Gostaria de viver
entre a realidade, mas não sei onde foi parar a minha parte adulta. Deve ter se cansado da solidão junto com a imaginação fértil de uma criança. Onde o mundo se resume em ler, escrever, imaginar. Junto à mesa que estou escrevendo está cheia de papéis
insignificantes, onde escrevo tudo o que me vem à mente, e depois junto tudo e fico com medo da realidade que escrevi. Não leio tudo. Quero esquecer das partes onde o mundo se resume a nada. O meu mundo, onde as coisas são tão solitárias quanto a mim. Onde o amor que elas tinham em algo se
perdeu conforme ignorada de certa forma. Aprenderam a viver sem isso, sem esse significado que
ninguém sabe identificar ao certo, onde esquecem até mesmo do amor de si próprio. Apodrecem lentamente no seu canto, igual a mim
enquanto escrevo essas palavras sem sentido. Sem nenhuma vontade de levantar, de falar... Acho que esqueci algo. Algo importante em mim, algo que não sei onde está, e nem a importância. O que faço pra você voltar?
Vou ter que atravessar por esta porta de madeira meio velha e ver o mundo real de novo, apenas para te achar? Como conseguir o que perdi se nem sei o que é? Ah, lembrei... Ou não, não sei dizer. É acho que prefiro não achar. Não preciso do que não está aqui, não preciso do real. Queria saber... saber de verdade o que fazer para a coragem voltar. A coragem que sumiu junto com a minha realidade. Estou condenada a ter medo da luz para sempre? Medo de enxergar a verdade que eu nunca quis conhecer? Serei sempre alguém que tem medo da porta se abrir e eu ter que atravessar a passagem para o real? Um dia talvez, mas prefiro não arriscar. Aqui com o meu Whisky e meus papéis junto a livros, vivo melhor. Vivo a infelicidade de um modo feliz, compreende? Acho que não, se nem eu estou entendendo, quem poderia entender? A minha companhia se refere aos
espelhos, prefiro me ver, e ver se alguém está ali, ali me escutando... Rindo de mim, ou me apoiando, não sei. Alguém da minha imaginação, que de algum modo não sei a forma. Se de algum animal, pessoa ou apenas uma sombra. Tudo bem... um dia eu descubro se tenho coragem, coragem o suficiente para descobrir o que tem por trás da porta, a porta pra realidade.